30 de julho de 2017 - 15:55

Você quer mesmo deixar o Brasil?

Para a escritora essa é a pergunta da vez e a solução encontrada para nove em cada dez brasileiros

da Redação

Você quer mesmo deixar o Brasil?

É a pergunta da vez. Todos quererem abandonar o País. Talvez seja a solução de 9 entre 10 brasileiros.

Eu já fui. Já voltei. Sempre estou prestes a retornar. Parece que sigo a adiar o inevitável.

O melhor de ir embora?

É estrear a página em branco de um caderno. É iniciar uma outra história. É a possibilidade de um novo começo. Ou um novo fim.

É sair da zona de conforto. É aprender novos costumes. É mergulhar numa outra língua. É conhecer outras ruas, outros sonhos, outros caminhos. É dar uma possibilidade, um futuro diferente a nós e a nossos filhos.

O pior de mudar?

É não ter raízes. É não ter memórias para se conectar àquele novo lugar. É se descobrir sempre um estrangeiro. É a constante sensação de ser um estranho no ninho.

Incentivo quem quer ir embora. Já fui uma dessas que partiu e achou que encontraria um ambiente maravilhoso do outro lado do mundo.

E até descobri.

Mas tudo tinha seu preço. Tinha a saudade da família. A falta da comida. A ausência de calor humano. O desaparecimento dos costumes e memórias da vida anterior.

Você quer se ajustar, mas você não faz parte daquele universo. Você vive tentando. Seja pela aparência, seja pelo sotaque, seja pela compreensão da política local. Tudo o que você quer é pertencer, mas, no fundo, você sabe que raízes não se transportam. Elas permanecem fincadas no lugar de onde viemos, quer a gente queira ou não.

Meu conselho? Se você conseguir lidar com as faltas, vá em frente. Nada como um desafio para testar nossa capacidade de sobreviver em outro ambiente.

Tive sorte de estar no Brasil quando minha avó e tia adoeceram e faleceram. Mas muitos amigos partiram e eu não pude dar um último adeus. Também perdi casamentos e aniversários de quem tinha muito carinho. Não vivenciei momentos importantes ao lado da família e amigos. Em contrapartida, conheci muita gente interessante e tive experiências incríveis, que ampliaram minha visão do mundo.

Uma coisa é certa: depois de uma longa vivência no exterior, você nunca mais será igual. Sempre terá uma parte de você num país e outra em outro.

Tudo é questão de se conhecer.

Se você acredita que vai ganhar mais do que perder, a hora é agora. Nunca foi tão fácil pensar em abandonar o Brasil.

Assinatura Debora Nunes