24 de julho de 2017 - 14:48

Sucesso de filho vale em dobro

da Redação

Falo por mim: cada sucesso do meu filho, sinto em dobro. E cada fracasso, idem.

Foi mal na prova? Pois me sinto arrasada. Fez gol no jogo? Sinto como se eu tivesse feito uma goleada. Brigou com amigo? É como uma punhalada para mim. Está mal-humorado? Também fico em poucos minutos.

Sim, meu filho é uma pessoa independente e não sou sua extensão. Mas adio cortar o cordão umbilical o quanto posso. Suas dores são como se fossem minhas, seus acertos parecem meus.

Só para ilustrar o que digo, vou contar uma história.

No seu último jogo de futebol, ele fez bonito. Além de dois gols, deu duas assistências e fez a diferença no campo.

E eu quase enlouqueci. Gritei, vibrei, me emocionei.

Eu me sentia a mãe do Neymar, do Cristiano Ronaldo, do Messi. Não tinha quem me segurasse.

Nem dava bola para a torcida. Nem a amiga nem a inimiga. Acho que entrei num mundo paralelo, tamanha minha empolgação. Só não entrei na quadra para celebrar porque o portão estava fechado, senão teria entrado, como fazem aqueles torcedores malucos que entram no campo para abraçar seu ídolo.

Só quando o jogo acabou é que consegui me acalmar.

Fiquei pensando nos que me viam tão animada, gritando como se meu filho fosse o único em campo.

Fiquei com vergonha.

E entendi por que meu filho pede para eu não ir a seus jogos. Acho que ele pensa que a mãe dá vexame. Deve morrer de vergonha, coitado.

Na volta para casa, prometi que não repetiria a cena e me comportaria na partida seguinte.

Vou fazer o possível, mas acho difícil, afinal, sucesso do filho não vale em dobro?

De verdade, a vida já é tão difícil com os problemas do cotidiano, já temos mais preocupações do que sorrisos que, se não pudermos ficar felizes com as conquistas de nossos filhos, onde mais seremos?

Porque mãe é assim: somos as fãs número 1 de nossos filhos. Não importa o esporte, a profissão, a prova da escola ou a peça de teatro. Estaremos lá, sempre na torcida. E talvez isso seja um dos grandes prazeres da maternidade. Afinal, que mãe não vibra com seus filhos?

 

Assinatura Debora Nunes