25 de setembro de 2017 - 09:00

Se fosse eu

Pois bem. O que você faria se você fosse você? Se fosse mais autêntica, mais corajosa, mais sincera? Se fosse você de verdade, sem filtro nem máscara?

Débora Nunes

, da Redação

O tema deste artigo foi inspiração de uma das autoras de que mais gosto da atualidade, Martha Medeiros. Martha, por sua vez, inspirou-se num texto de uma das maiores escritoras de todos os tempos: Clarice Lispector. 


Pois bem. O que você faria se você fosse você? Se fosse mais autêntica, mais corajosa, mais sincera? Se fosse você de verdade, sem filtro nem máscara? E mais: se pudesse dar conselho a você mesma, lá no passado?
 Aqui, pensei em algumas coisas.

Se eu fosse eu, teria falado na cara, em alto e bom som, certas verdades que guardo só para mim. 

Se eu fosse eu, teria abandonado quem me decepcionou na primeira vez e não insistido em algo que não funcionava.

Se eu fosse eu, teria tratado quem não merece com desprezo e não tentando ser a boazinha de sempre.

Se eu fosse eu, teria feito um auê com o técnico que deixou meu filho no banco enquanto colocava um menos preparado em seu lugar.

Se eu fosse eu, teria ditado as regras do jogo, me imposto quando a situação pedia firmeza.

Se eu fosse eu, teria pedido mais ajuda e chorado quando tive vontade.  

Se eu fosse eu, teria ouvido a minha voz interna, a mais profunda e quase silenciosa, que dizia que a vida não seria fácil e eu precisaria de preparo.


Se eu fosse eu, teria dito para médicos que erraram vários diagnósticos do meu filho que eram incompetentes e indignos de atuarem na profissão. 


Se eu fosse eu, teria recusado o que não achava certo apenas para ser aceita no grupo.


Se eu fosse eu, teria me preocupado menos com bobagens na juventude.


Se eu fosse eu, teria desacelerado, principalmente na infância do meu filho, em vez de estar sempre numa corrida contra o tempo.

Se eu fosse eu, teria escrito todas as histórias que vivi e as que quero viver.


Se eu fosse eu, não deixaria minha insegurança tomar conta de mim quando preciso manter a calma.

Se eu fosse eu, teria lido todos os clássicos quando tinha tempo de sobra.

Se eu fosse eu, falaria menos e ouviria mais.


Se eu fosse eu, não seria tão sincera com quem mal conheço. 

Se eu fosse eu, teria treinado para correr uma maratona, coisa que venho adiando há anos.

Se eu fosse eu, teria visitado mais as minhas avós.

Se eu fosse eu, teria falado para minhas amigas de infância o quanto foram importantes para minha vida, principalmente para aquela que nos deixou tão cedo. 

Se eu fosse eu, teria amado mais e brigado menos. Teria sido mais flexível ao longo da vida.

Se eu fosse eu, teria apreciado mais a beleza das flores e da natureza. Teria plantado mais árvores.

Se eu fosse eu, teria procurado conversar mais com quem tem essência e não aparência.

Se eu fosse eu, teria aprendido na hora certa e não sob pressão.

Se eu fosse eu, teria vivido como se o presente fosse o único e, talvez, último dia.

Assinatura Debora Nunes