25 de junho de 2017 - 10:59

O peso na balança subiu? Vem conversar comigo

da Redação

Sou sempre a primeira a dizer que devemos amar nosso corpo, seja ele P, M, G ou GG. Mas só eu sei o quanto sofro para amar um corpo que aumentou enquanto eu não percebia. Que foi do M para o GG quando eu não queria.

É muito difícil ser gordinha. E eu falo com propriedade.

Como quem sente na pele as dores de chegar numa rede de fast fashion, tipo Zara ou Forever 21, e não entrar em nenhum modelo de roupa existente na loja. (Sei que estou sendo politicamente incorreta por falar da Zara devido ao trabalho escravo, mas hoje - e só hoje - vamos falar sobre peso).

Já tentei de tudo.

Fiz viagem de navio contando os pontos da comida e me matando nas aulas de spinning. Fui para os Estados Unidos e não pude aproveitar as guloseimas (inclusive saía dos lugares com fome). Passei Natal e Réveillon sem experimentar praticamente nada das mesas fartas. Tomei remédio. Passei 4 meses em uma dieta e, no fim do sofrimento, perdi míseros cinco quilos. Fui para spa e não perdi um grama. Fiquei um ano sem comer doce e carne. Tentei viver à base de proteína. Perdi todas as roupas do armário. Deixei de sair por não querer mostrar meus quilos a mais.

Brigo com a balança desde os 14 anos. Venci a briga por algum tempo. Mas, diante dos desafios da vida, minha ansiedade falou mais alto e sigo perdendo a guerra (ainda que ganhe batalhas durante meses).

Toda a vez que vejo alguém acima do peso, tenho vontade de falar: "Olha, entendo sua luta. Sinto na pele". Ou, como se diz em tempos modernos: #tamojuntas.

Agora, se tem uma coisa que me irrita com essa história toda é quando uma modelo/atriz/blogueira que nunca saiu do número 38 quer falar com propriedade sobre o assunto e dizer que acha o máximo a silhueta da Adele, da Preta Gil, da Amy Schumer e outras famosas que usam GG.

Pura hipocrisia.

Elas podem falar isso na mídia, mas duvido que se sentiriam bem com o corpo delas. Se ficassem à vontade assim, seriam as primeiras a ganhar peso. Mas isso nunca acontece. E nem elas, as famosas cheinhas, sentem-se bem. Tanto que também brigam com a balança. E adoram se mostrar para todos quando perdem alguns quilos.

Estou fazendo apologia da ditadura da magreza?

Não.

Estou só dizendo que precisamos ser honestas. Não querer ser uma coisa quando somos outra.

De verdade, duvido que alguma mulher goste de estar acima do peso. (Costumo dizer que gostaria de ser magra até numa ilha deserta, sem ninguém para me observar).

Um psiquiatra talvez diga que somos uma geração de mulheres com transtornos alimentares. Que nos sacrificamos tanto para estar de bem com o espelho que viramos doentes. A geração das narcisistas. Pode ser.

Minha sugestão é abrir o jogo.

Talvez este seja o ponto inicial de um grande debate. Talvez possamos descobrir que o peso é apenas a ponta do iceberg e o que se esconde embaixo pode ser mais apavorante.

Só elucidando nossos dilemas é que deixaremos um legado mais sadio para nossos filhos.

Por isso, vamos continuar a falar sobre peso?

 

Assinatura Debora Nunes