22 de janeiro de 2018 - 07:00

Movimento anti-vacinação

A primeira vez que tive que pensar no assunto foi com minha vizinha francesa, quando morava nos EUA. Ela associava vacinas ao aparecimento de doenças

Debora Nunes

Acompanho, com perplexidade, o movimento das mães que optam por não vacinarem seus filhos, tema que ganha cada vez mais adeptos.

A primeira vez que tive que pensar no assunto foi com minha vizinha, quando morava nos Estados Unidos. Uma francesa, muito esclarecida, por sinal. Ela jurava que seu filho era saudável até tomar uma vacina, aos 2 anos, quando desenvolvera autismo. Ela tinha convicção de que a imunização fora a causadora da enfermidade. A partir dali, nunca mais vacinou os filhos. Nem o mais velho nem os outros dois que vieram depois.

Nunca quis discutir com Anne, porque sabia que isso lhe trazia um certo conforto, como se aquilo fosse uma explicação para aquela doença inexplicável. Mas, ao mesmo tempo, não entendia como ela era capaz de deixar os filhos vulneráveis a outras enfermidades. Ela, que tanto sofria por causa de uma doença, deixava-os vulneráveis a tantos outros perigos. Era algo contraditório.

Quando meu filho nasceu, nunca passou pela minha cabeça não vaciná-lo. Aliás, já no hospital ele recebeu as suas primeiras doses. Era algo instintivo protegê-lo com o que estivesse ao meu alcance. Era difícil vê-lo chorar ao tomar uma picada? Sim, mas muito melhor do que vê-lo adoecer por outro mal muito mais grave e, talvez, fatal.

Por isso, fiquei incomodade quando li uma matéria que destacava surtos de sarampo em vários estados dos Estados Unidos, na Europa e até na Austrália em razão do movimento anti-vacinação. Como se sabe, o sarampo pode ser fatal em crianças pequenas, por isso a vacina para sua prevenção está no calendário de muitos países, inclusive do Brasil, já no início da vida.

Enfim, resolvi pesquisar. Quis entender quem eram essas mães anti-vacinação, que também estão em nosso País.

A primeira imagem que me veio à mente foi a da minha amiga francesa. Não deu outra. Muitas resistem à ideia de imunizar seus filhos porque acreditam que o mercúrio presente em algumas fórmulas causam doenças, principalmente o autismo. Vários estudos foram feitos, mas nunca foi provada a relação entre os dois.

Outro fator que faz com que mães resistam às vacinas é o de querer ter livre-arbítrio para escolher o que é melhor para os seus filhos, sem imposição do governo ou da sociedade. Juro que não estou brincando. Geralmente as que pensam assim são do estrato mais alto da população.

Também tem aquelas que dizem que vacinas são uma invenção da indústria farmacêutica para ganhar dinheiro e, por isso, não entrarão nessa onda.

De verdade, nenhum argumento me convence. Acho tudo isso um egoísmo da parte dos pais. Egoísmo porque muitas famílias em países paupérrimos dariam o pouco que têm para terem seus filhos vacinados. E aí aparecem os engraçadinhos que fazem até festa (juro!) quando um filho contrai catapora.

Tudo isso é uma brincadeira de muito mau gosto. É como jogar roleta-russa, só que com a vida do seu filho. Legal, né?

Só digo uma coisa: se você está lendo isso e não vacina seu filho, vá correndo ao posto de saúde e comece já a atualizar a carteirinha de vacinação dele.

O mundo agradece.

Assinatura Debora Nunes