27 de agosto de 2017 - 07:42

Crianças deveriam estar fora do jogo do poder

da Redação

Sou apaixonada por histórias das famílias da política norte-americana. Tive minha época de interesse pelo clã dos Kennedy, depois Clinton, passando por Bush até os Obama. Os Trump são um capítulo à parte.

Mas é deles que vem o maior exemplo do que quero dizer: filhos menores de idade nunca devem ser o alvo no jogo do poder. Nunca.

Barron Trump, o caçula do atual presidente dos EUA, tem apenas 11 anos e é vítima constante dos ataques da mídia. Esta semana, o problema foram suas roupas. Como se isso fosse relevante para o mundo.

Chelsea Clinton, filha de um ex-presidente, saiu em defesa do garoto. "Já passou da hora da mídia esquecer Barron Trump e deixá-lo viver a infância privada que ele merece", publicou em sua conta no Twitter.

Chelsea tem propriedade para falar do assunto. Nem imagino o que deve ter enfrentado, sozinha, enquanto o pai presidia os Estados Unidos.

Primeiro, por ser filha única. Não tinha ninguém para compartilhar suas angústias, como é típico entre irmãos. Era apenas uma pré-adolescente de 12 anos quando Bill Clinton assumiu o cargo.

Segundo, porque teve que aguentar o escândalo sexual do pai com Mônica Lewinsky. Nunca tocou no assunto em público, mas é óbvio que viveu momentos de angústia. Nenhum adolescente gosta de ver o pai sendo julgado (Clinton enfrentou um processo de impeachment). Menos ainda quando envolve uma traição na família.

Por fim, sinto certa empatia por ela, que agora trabalha na Fundação Clinton. Penso: imagine como deve ser difícil viver à sombra de um pai que foi presidente e de uma mãe considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo? Como deve ser difícil se considerar bem-sucedida com pais que atingiram quase o inatingível.

Mas Chelsea venceu seus dilemas e mostra que a vida lhe trouxe maturidade e sensatez. Se ela pôde crescer no anonimato, porque o mesmo não pode ser estendido ao caçula de Trump?

Tal regra não vale somente para os EUA, mas para o Brasil e o mundo. Crianças não devem pagar pelas escolhas (ou ambições) dos pais, principalmente na busca pelo poder.

 

Assinatura Debora Nunes