27 de novembro de 2017 - 09:41

Com eletrônicos, menos é mais

Nós não temos mais tempo para conversas em família dentro de casa. Ou estamos com os olhos na telinha ou vidrados em algum aplicativo no celular

Débora Nunes

, da Redação

Eu acho que tudo começou quando as televisões entraram em nossos quartos. Agora, além da TV, temos que brigar com os outros eletrônicos que apareceram em nossas vidas e roubam preciosos momentos em nosso lar.

Sim, nós não temos mais tempo para conversas em família dentro de casa. Ou estamos com os olhos na telinha ou vidrados em algum aplicativo no celular.

Ainda lembro como se fosse ontem dos encontros na casa da vó Biloca. Todas as noites, as tias se reuniam para jogar conversa fora, falar de coisas sérias ou apenas relembrar alguma história do passado. Como morava em frente à casa dela, sempre me pegava ouvindo aquelas histórias de gente conhecida e outras nem tanto. Era um dos meus passatempos preferidos e aprendi muito sobre o ser humano ouvindo aqueles papos.

Hoje, essa cena, de várias pessoas conversando numa varanda, realmente interessadas no que a outra diz, seria diferente. Provavelmente, todas teriam um celular na mão. A competição entre o mundo virtual e o real seria acirrada. Não sei quem venceria.

Pensei nisso quando descobri uma casa, de um amigo de meu filho, onde só existe uma televisão e as crianças não têm celular ou videogames.

Fiquei surpresa. Na verdade, admirada é a palavra certa.

Como conseguem sobreviver à pressão do mundo, que nos empurra para os eletrônicos? Como controlam os desejos dos filhos, que convivem com amigos que não desgrudam do telefone?

Não tenho as respostas para as minhas perguntas, apenas sei que as crianças brincam muito nessa casa e o casal passa horas conversando entre si ou com os filhos.

A casa com apenas uma televisão e quase nenhum outro eletrônico virou meu sonho de vida, meu projeto para 2018.

De repente, desconectar é a palavra (e a atitude) da vez. Com eletrônicos, menos é mais.

Assinatura Debora Nunes