08 de março de 2017 - 12:15

O Tao do "Big One", que tal?

Aroldo Maciel

O mês é fevereiro de 2017. Depois de cinco anos falando sobre sismos, sou perseguido pelo único assunto que ainda me assombra: escrever sobre o tal do "Big One", ou, como é conhecido por muitos, "O grande terremoto".

Cientistas de países como Japão, Chile, Peru e EUA entraram em uma discussão sobre quem deverá ser o próximo a ser atingido pelo grande terremoto. Jornais de todo o mundo entrevistam seus respectivos cientistas que afirmam a proximidade do evento. Durante minha pesquisa cruzei alguns dados e acredito que os números podem nos dar uma ideia aproximada de onde e quando isso deverá acontecer. Claro que os países citados dão informações à população e garantias de que tudo ficará bem. Será?

O motivo de minhas visitas aos países do cinturão de fogo sempre foi levantar um questionamento sobre as “migrações sísmicas”, além de poder algum dia prever terremotos. A ideia de que um evento de 9.0 graus na escala Richter possa ocorrer na Califórnia não é inédita. Nos últimos meses, órgãos conceituados têm levantado essa hipótese e afirmam que isso é iminente. A única diferença é que eles acreditam que esse terremoto deverá ocorrer na região Norte e eu tenho bons motivos para acreditar que será no Sul, em 3 anos, ou em algum lugar ao Norte da América do Sul entre 2024 e 2026.

Bem, a pergunta é sempre a mesma: como alguém poderia saber isso? A verdade é que não sei, mas tenho uma teoria que vem se tornando bastante convincente. Acho difícil que os responsáveis consigam entender minha metodologia, mas como já dizia um certo pensador: “Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis” (René Descartes).

A teoria
A teoria é simples. Monitorando os terremotos de magnitudes similares, identifiquei um padrão. Usando um histórico pude dizer em rede nacional, no Chile, onde ocorreriam os últimos dois terremotos de 8.4 graus dos últimos 5 anos.

Nos primeiros minutos do dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9.3 graus ocorreu nas proximidades da Sumatra, no Oceano Índico (3.50 N; 95.72 E). Esse evento gerou ondas devastadoras que levaram consigo cerca de 230 mil pessoas em 14 países diferentes.

Em 11 de março de 2011 tivemos o que ficou conhecido como “O grande terremoto do Leste do Japão”, com magnitude de 9,1 graus e epicentro ao largo da costa do Japão (38.30 N ; 142.50 E), ocorrido às 5h56 (UTC).

Segundo as autoridades, houve 15.894 mortes confirmadas e mais de 2.500 desaparecidos.

Sei que correlacionar esses eventos poderia ser considerado apenas especulação, mas ao aplicar o mesmo raciocínio aos eventos do Nepal (28.24 N ; 84.74 E) e das Ilhas Bonin (28.24 N; 84.74 E) foi possível enviar um alerta de 28 dias para o evento de La Serena, no Chile. Em um programa de quase uma hora, falei ao vivo para todo o Chile dos riscos de um terremoto de 8.0 graus para a cidade de La Serena. O evento ocorreu no prazo e, mesmo o tsunami devastando a região costeira, o número de vítimas fatais não passou de 12.

O mesmo modelo foi aplicado ao evento de 8.5 ocorrido em 1º de abril de 2014 e noticiado 30 dias antes em vários programas locais. Os dados e coordenadas estão aí para que qualquer pessoa possa verificar a lógica da teoria proposta. Quem tem intimidade com números e computadores, tentem relacionar as coordenadas. Em resumo, a distância entre o ponto A e o ponto B é o resultado de intervalo de tempo e distância percorrida. Se o ponto C for a Califórnia, teremos o intervalo aproximado de sete anos, tendo em vista que a distância entre os pontos A e B é igual à distância entre os pontos B e C. O fato ainda mais preocupante é que, se o evento não ocorrer no ponto C, seguirá para o ponto D em uma linha imaginária para algum lugar na parte Norte da América do Sul, entre 2024 a 2026.

Califórnia
Claro que estamos falando aqui de probabilidades e de locais com potencial já avaliado pelos profissionais de seus respectivos países. Vamos começar com o Estado da Califórnia, ou costa Sul na região de fronteira com o México. Seguindo o raciocínio, temos esse local como maior probabilidade. Por ter históricos de eventos sísmicos e por estar localizado na Falha de San Andreas, vem sendo estudado há anos. Sendo o Estado mais populoso dos EUA, a Califórnia tem um número crescente de 37.253.956 habitantes. Segundo uma nota no site UOL Economia, “se a Califórnia fosse um país, ela seria a sétima maior economia do mundo, à frente do Brasil. Acho que não é difícil imaginar o que um evento desses faria aos EUA.

As falhas
A falha de San Andreas é o assunto do momento, se estende de Norte a Sul ao longo de 1.300 quilômetros, dividindo a parte norte-americana da placa do Pacífico, uma das mais estudadas no mundo, uma vez que está quase inteiramente na superfície da Terra.

Em 2015, Hollywood lançou o filme “Terremoto”, do diretor Brad Peyton. Com um roteiro apocalíptico, o filme parece antecipar os efeitos catastróficos no caso de um terremoto na Falha de San Andreas. A ficção pode, de maneira sutil, estar preparando psicologicamente os milhões de californianos para o pior. O histórico sísmico na região da Califórnia foram os terremotos de Northridge, Los Angeles (6,7 graus), em 1994; Loma Prieta, San Francisco (6,9 graus), em 1989; além do terremoto de 7,8 graus em 1906 que destruiu uma grande área em San Francisco, matando mais de 3 mil pessoas.

A minha dúvida é que muito se fala da Falha de San Andreas, mas outra falha pouco mencionada é a Falha de Cascádia, submarina, com mais de 1,1 mil quilômetros. Vai desde a província canadense da Colúmbia Britânica até o Norte da Califórnia. Está na zona de subducção da placa de Juan de Fuca e da placa da América do Norte.

A Falha de Cascádia tem um potencial destrutivo igual ou maior do que o da falha de San Andreas. Magnitude acima dos nove graus, acompanhados de tsunamis parecidos com o que arrasou a costa norte do Japão em 2011. Segundo um artigo publicado pela revista The New Yorker, vários pesquisadores informavam que, nas próximas décadas, essa falha poderá ficar ativa provocando o que eles classificaram como “a maior catástrofe natural da história dos Estados Unidos”. Em seu histórico sismológico, encontramos o terremoto de 1700, cujo tsunami teria chegado à costa do Japão.

Olhando para essas duas falhas e suas proximidades e histórico, creio que, se somada minha teoria às evidências apresentadas aqui, fica a dica. O assunto é delicado, dado a regiões com superpopulações estarem edificadas ao longo das falhas geológicas. O que me deixa ainda mais apreensivo é o fato de que pessoas responsáveis pela segurança de locais de risco continuam a construir escolas, hospitais e até usinas nucleares.

A pergunta sobre onde vai acontecer o próximo "Big One" vem tirando o sono de muitos. Especulações feitas pelos próprios cientistas tornam reféns aqueles que vivem em áreas de risco, principalmente quando se trata das falhas de San Andreas e Cascádia.

Convido cada um a esvaziar as mentes e seguir as evidências aqui apresentadas para compreender minha teoria. Em debates e palestras em quatro continentes, tive duras conversas com nomes conceituados no assunto. Sem respostas adequadas, continuo procurando.

“Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso e não interferindo” (Tao Te Ching - Cap.48).

Clique aqui e conheça minha teoria.

The Ching of the “Big One”, what a thing!

The month is February 2017, after 5 years talking about earthquakes, I'm still chased by the single subject that still haunts me, writing about the "Big One" or as it is known by many, The Great Earthquake.

Scientists from countries such as Japan, Chile, Peru, and the US have entered a discussion about who will be the next to be hit by the massive earthquake. Newspapers around World interview their respective scientists who state that the event is on its way. During my research, I came across some data and I believe the numbers may give us a rough idea of where and when it should happen. Of course, the countries cited give the population information and assurance that everything will be fine. Or not?

The reason of my focus on the countries of The Ring of Fire, was always raise a question about the "Seismic Migrations" in addition to being able to someday predict earthquakes. The idea that an event over the magnitude of 9.0 can occur in California is not unprecedented, highly regarded agencies have, in recent months, raised this hypothesis and claim that it is imminent. The only difference is that they believe that this earthquake will occur in Northern California and I have good reasons to believe that it will, in fact, hit the Southern California in 3 years, or somewhere North of South America between 2024 and 2026.

Well! The question is always the same, how could anyone know that? The truth is that I don't know, but I have developed a theory that has become quite convincing. I find it hard to believe those responsible will be able to understand my methodology, but like said a certain thinker "there are no easy methods to solve difficult problems" René Descartes.

The theory

The theory is quite simple, by monitoring earthquakes of similar magnitudes I have identified a pattern and using historical data and back testing confirmation, I could say on national television (Chile), where would the most recent earthquakes over 8.4 magnitude of the last 5 years.

In the first few minutes of the December 26th, 2004 1, an earthquake of a 9.3 magnitude occurred near Sumatra, the Indian Ocean. This event generated devastating waves that took away about 230,000 people in 14 different countries.  3.50 N; 95.72 E)-A

On March 11th, 2011, at 5:56 UTC, happened what was known as "The Great East Japan Earthquake" with a 9.1 magnitude with epicenter off the coast of Japan.

According to the authorities, there were 15894 confirmed deaths and more than 2500 people are still missing. (38.30 N; 142.50 E)-B

I know that correlate these events could be considered only speculation, but to apply the same logics to other events, Nepal (28.24 N; 84.74E) – A Bonin Islands (28.24 N; 84.74E) B, it was possible to send an early alert, 28 days before the event of La Serena, Chile. During a TV show of almost 1 hour, I spoke live to the whole Chile about earthquake risks that could go above an 8.0 magnitude for the city of La Serena. Well! The event occurred exactly on the time frame predicted and even the Tsunami ravaging the coastal region, the number of fatalities was only 12. The same model was applied to 8.5 event occurred on April 1st, 2014 reported 30 days before in several local TV shows. The data and coordinates are there for anyone to check the logic of the proposed theory. Who has intimacy with numbers and computers can try to relate the coordinates.

In summary, distance between point A and point B is the result of time interval and distance travelled. If the point C is California we have the range of approximately 7 years since the distance between point A and B are equal to distance between point B and Point C. Even more troubling is the fact that, if the event does not occur at point C, it will follow to the point D on an imaginary line somewhere in the northern part of South America between 2024 to 2026.

California

Of course, we're talking about odds and potential sites already evaluated by professionals in their respective countries. Let's start with the State of California or the South Coast border with Mexico. Following the logics, we have this site as more likely. This site has historical seismic events and for being located on the San Andreas fault, has been studied for years. Being the most populous US state, California has an increasing number of 37,253,956 inhabitants. According to a note from www.fool.com "If California were a country, it would be the seventh largest economy in the world, ahead of Brazil. I don't think it's hard to imagine what an event like that would do to the United States.

The Flaws

The San Andreas fault is the subject of the moment. It extends from North to South along 1,300 Km dividing the North American portion of the Pacific plate. It is one of the most studied in the world, since it is almost entirely on the surface of the Earth.

In 2015 Hollywood launched the movie "Earthquake" from Director Brad Peyton, with an apocalyptic screenplay. The film seems to anticipate the catastrophic effects in case of an earthquake on the San Andreas fault. But the fact is that fiction could subtly, be preparing psychologically thousands or millions of Californians for the worst. The seismic history in California were the earthquakes: Northridge (6.7 degrees) in 1994, Los Angeles, Loma Prieta (6.9 degrees), in San Francisco, in 1989, in addition to the 7.8 earthquake in 1906 that destroyed a large area in San Francisco, killing more than 3000 people.

My question is that much is said of the San Andreas fault but a fault less mentioned is the Cascadia fault, underwater with over 1100 kilometers, from the Canadian province of British Columbia to Northern California. It is in the zone of subduction of the Juan de Fuca plate and North American plate. The Cascadia fault has a destructive potential similar or even higher than the San Andreas fault, with a potential magnitude above nine degrees, that would be followed by related tsunamis analogous to those that devastated the northern coast of Japan in 2011. According to an article published by The New Yorker, several researchers reported that, in the coming decades, this failure may be active causing what they rated as "the greatest natural disaster in the history of the United States". In the seismological history, can be found the 1700 earthquake, whose tsunami would have reached the coast of Japan.

Looking at these two flaws and its vicinity and history, I believe that adding my theory, the evidence presented here, is a hint.

The subject is delicate, given the regions with overpopulations being built along the faults. What makes me even more apprehensive is the fact that people responsible for local security, build schools, hospitals and even nuclear power plants on these areas.

The question about where it's going to happen the next Big One is keeping many awake. Speculations made by own scientists make hostages those living in areas of risk, especially in the case of the San Andreas and Cascadia faults.

I invite each and every one to empty the minds and follow the evidence here presented to understand my theory. In debates and lectures in 4 continents, I have had hard conversations with leading names in the subject, without appropriate responses, so I keep researching.

"The world is ruled by letting things take their course"

Tao Te Ching (Section 48)

Meet my theory

http://fallmeeting.agu.org/2012/files/2012/12/poster_agu_small.pdf

Assinatura Coluna Aroldo

 

03 Comentário(s)

Sergio Salinas - 11.03.2017

Estimado Aroldo, como seguidor de su estudio sobre las migraciones sísmicas, me doy cuenta de que tiene mucho de certeza a pesar de lo que piensa el mundo científico. Siguiendo la lógica que demuestra la teoría, considerando la correlación dada entre Nepal, Japón y La Serena en Chile el año 2015, considero que el pronóstico del Big One es una probabilidad real. Hoy se cumplen 6 años desde el último megaterremoto de 9.1 que hubo en Honshu, Japón el 11 de marzo de 2011. Aproximadamente seis años antes se produjo el megaterremoto de Sumatra de 9.1 el 26 de diciembre de 2004. Relacionando los eventos con su teoría estaríamos entrando en un período en que debería manifestarse la probabilidad de un nuevo evento en algún lugar correlacionado con Japón. Como las distancias son grandes, aun falta algo de tiempo para que arribe a los sitios que ha referido con mayores probabilidades. Su estudio, pese a demostrar certezas, aún sera resistido por mucho tiempo más por parte de las personas que creen tener la verdad de la sismología. Están engolosinados con sus grandes conocimientos de la tierra que no se percataron de algo tan simple como que los sismos migran, Mis felicitaciones y saludos desde Salamanca, Chile.

Sergio Salinas - 11.03.2017

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Cynthia perez - 09.03.2017

Aroldo Maciel ,cada vez me sorprende mas su capacidad de enseñarnos ,mantenernos alertas y luchar por una teoría que cada vez se hace mas real,admiro su coraje ,su dedicación y valentía frente a los "necios" que se cierran a que los terremotos no se pueden predecir ,cúando sabemos que si se puede hacer ,teniendo como ejemplo los muchos aciertos hechos por usted. Desde Santiago de chile espero jamas nos abandone y siga luchando por los que no tenemos voz en esta materia y que los encargados de protegernos (presidentes y científicos ) reconozcan a la brevedad la teoría que ud nos presenta y así salvar vidas cono lo hace usted. Arte cynthia Perez