11 de julho de 2017 - 12:20

WhatsApp ajudou a reduzir "praga do algodão" na agricultura

Segundo o professor Walter Jorge dos Santos, aplicativo permitiu troca de experiências entre produtores para combater o chamado "bicudo"

Gabriele Schimanoski

, de Sapezal (MT)

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Walter Jorge ,Pesquisador

Pesquisador Walter Jorge diz que combate ao Bicudo no estado é exemplo a ser seguido 

O Paraná já foi conhecido como o maior produtor de algodão no País. Até o início dos anos 90, o estado era responsável por mais de 50% da produção. Hoje, a área plantada foi reduzida drasticamente. Um conjunto de razões contribuiu para esse cenário, como a queda nos preços e o aparecimento de pragas e doenças. A principal delas foi o besouro conhecido como “bicudo-do-algodoeiro”.

Atualmente, o Estado de Mato Grosso é líder na produção da fibra. Segundo o professor e entomologista Walter Jorge dos Santos, um dos maiores especialistas no tema, os esforços contínuos de combate ao besouro estão entre as principais causas do aumento na produtividade. Além disso, o aparecimento de novas tecnologias que aumentaram a troca de informações entre os produtores - como o WhatsApp - també foram decisivos. 

“Mato Grosso é um exemplo a ser seguido. A presença do bicudo é baixa, mas ele não sumiu. Não podemos baixar a guarda”, destacou. Neste ano, em sua avaliação, há uma redução na incidência de todas as pragas e a tecnologia tem contribuído para isso com a troca constante de informações entre produtores e especialistas. Segundo Santos, essa troca se dá, prioritariamente, via grupos de produtores no Whatsapp.  

“A chegada do WhatsApp contribuiu muito para a velocidade das informações e o que deu certo em uma propriedade chega nas demais rapidamente”. A novidade, segundo o pesquisador, parece simples, mas fará toda diferença nas próximas safras, ocasionando até a redução efetiva dos custos de produção com a diminuição da aplicação de defensivos agrícolas.

Ednilson Aguiar/O Livre

algodão, colheita

O bicudo perfura os botões florais para se alimentar ou colocar ovos

Popularmente conhecido apenas como bicudo, esse pequeno besouro perfura os botões florais para se alimentar ou colocar ovos. Uma vez alojado, não é possível recuperar as estruturas florais e as maçãs do algodão que foram afetadas pela praga. Quando ele aparece, existe a possibilidade de perda de até 70% da produtividade de uma lavoura, afirma Santos.

Em entrevista ao LIVRE, o professor fez um alerta aos cotonicultores de Mato Grosso, campeões na produção na fibra desde a safra 1997/98, momento em que produziram aproximadamente 270 toneladas ante as 184 dos produtores paranaenses - antigos líderes. “Desde então o estado vem crescendo, novas variedades estão surgindo, mas o combate a praga deve ser constante, não podemos descansar”, alerta.

O bicudo está presente em todos os estados brasileiros e o controle demanda cada vez mais investimentos. O aumento no custo da produção varia de acordo com a área ou incidência do besouro, mas chega a U$S 100 e US$ 150 dólares por hectare.

Segundo o professor, nesta safra está sendo difícil encontrar a praga nas lavouras, especialmente do Noroeste de Mato Grosso. Em Sapezal existe um grupo de produtores e técnicos que debatem a todo momento a cultura do algodão (GTA). O grupo nasceu do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) para aproximar produtores da Ampa e o corpo técnico das fazendas, promovendo a troca de experiências.

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