16 de junho de 2017 - 07:28

Produtores buscam alternativas junto à Conab para reduzir déficit

Capacidade de armazenagem cresce, mas situação de MT preocupa

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Thiago Silva/Estadão Conteúdo

Estoque de milho a céu aberto por conta da falta de armazéns na cidade de Sinop, no Mato Grosso em 2013

Estoque de milho a céu aberto por conta da falta de armazéns na cidade de Sinop, no Mato Grosso em 2013


A capacidade de armazenamento de grãos no país cresceu 0,9% em 2016 e fechou o ano com capacidade total para 168 milhões de toneladas. O número foi publicado nesta quinta-feira (8) com a divulgação da Pesquisa de Estoques do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao segundo semestre de 2016.

A notícia parece animadora, mas em Mato Grosso a situação preocupa produtores. Não houve crescimento significativo no armazenamento de grãos na região Centro-Oeste. Mato Grosso é o estado que tem o maior déficit de armazenagem de grãos do país: 35 milhões de toneladas considerando a margem da FAO, conforme antecipou o LIVRE.

Tentando mudar esse cenário, produtores de soja e milho estão buscando alternativas, como é o caso dos de Diamantino (183 km de Cuiabá). Lá, um grupo se reuniu e propôs para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) uma parceria para a reativação de uma Unidade de Armazenagem (UA) no município. A reforma ficaria por conta dos produtores. Em contrapartida, a Conab cederia a utilização do espaço, fechado há seis anos.

Caso a companhia aceite a proposta, os armazéns deverão receber toneladas de milho seco. O local tem capacidade estática de 27,6 mil toneladas. “Não resolve o problema do estado, mas já ameniza a situação da região”, destacou Fabrício Rosa, diretor Executivo da Aprosoja Brasil. A Unidade de Diamantino também possui uma área específica para o beneficiamento de grãos, como secadores e máquinas de limpeza.

Rosa explica que foi pedido junto à Superintendência da Companhia um levantamento para saber o que precisa ser reformado no armazém. A ideia é que produtores e Conab trabalhem juntos para que a obra seja viabilizada o mais rápido possível, afirmou. “Voltando a operar, muitos produtores já serão beneficiados”.

Além das parcerias, alguns produtores se articulam para tentar financiar a reforma ou construção de silos e armazéns depois do anúncio da redução de dois pontos percentuais nos juros no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), passando de 8,5% para 6,5% ao ano.

O produtor rural de soja e milho de Alto Taquari, Arthur Flumian Braga, é um dos interessados em investir em infraestrutura. Ele está em Cuiabá e participa de uma reunião sobre o tema com outros produtores na sede da Aprosoja. Entretanto, já afirmou que irá adiar a construção do seu próprio armazém devido a taxa de juros. “Eu tenho interesse, mas essa taxa ainda não é atrativa", avalia. "Não foi suficiente. Um investimento de infraestrutura não é barato, estamos falando de uma obra de R$ 2 milhões. Para ser atrativa teria que ficar abaixo dos 5%. Quem sabe no próximo ciclo”.

Neste Plano Safra, o governo federal vai disponibilizar R$ 1,6 bilhão para investimentos em armazenagem. “A redução da taxa de juros do PCA é uma grande vitória, entretanto, o governo reduziu dois pontos percentuais e não quatro conforme solicitamos”, ressalta Normando Corral, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato).

IBGE
Segundo o Instituto, os principais locais de estocagem de grãos foram os silos, que alcançaram a capacidade de armazenamento de 77,3 milhões de toneladas, 3,2% a mais do que no primeiro semestre. Já os armazéns graneleiros atingiram 64,3 milhões de toneladas, 0,2% a mais do que no semestre anterior. Os armazéns convencionais, estruturais e infláveis somaram 26,5 milhões de toneladas, o que representou queda de 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2016. Em relação ao número de estabelecimentos ativos, houve um leve acréscimo de 0,1%, ao passar de 7.818 no primeiro semestre para 7.829 no segundo semestre.

Produtos
No último dia de 2016, as unidades armazenadoras registravam 8,4 milhões de toneladas de milho, uma queda de 16,7% em relação ao volume estocado na mesma data no ano anterior, devido à quebra de safra. Em relação a soja, a estocagem de grão cresceu 97,4% no período e chegou a 6,3 milhões de toneladas.

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