20 de abril de 2017 - 06:37

Preço da arroba do boi despenca, mas preço da carne segue igual para o consumidor

Na comparação de abril do ano passado com abril deste ano, a queda foi de 10,6%, segundo pesquisa do Cepea

Gabriele Schimanoski

, da Redação

pautas@olivre.com.br

JLSiqueira/AL-MT

Carne

 Consumo de carne em MT não oscilou nos últimos 30 dias, mas preço da arroba despencou 10%

 

O preço da arroba do boi caiu 4,6% nos últimos 30 dias. Já na comparação de abril do ano passado com abril deste ano, a queda foi de 10,6%, passando de R$ 136,8 para R$ 122,27, de acordo com índice do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea) para Cuiabá. O movimento, porém, não decorre da demanda.

"O pecuarista paga sozinho a conta e o consumidor final não sente os reflexos efetivos da queda no preço da arroba"

Diferente do que era esperado, o consumo de carne em Mato Grosso não oscilou no último mês. O preço médio do quilo ficou estabilizado em R$ 21,10, com uma pequena variação de 0,4% entre março e abril. As exportações registraram aumento de 8,4% nos embarques, na comparação entre março de 2016 e de 2017.

A desvalorização da arroba do boi gordo é consequência da paralisação de sete plantas frigoríficas no Estado. Estão suspensos os abates nas unidades da JBS em Juína, Alta Floresta, Pedra Preta e Diamantino, do Marfrig em Tangará da Serra, do Minerva em Várzea Grande e do Frialto de Matupá.

Manipulação de preços
As empresas alegam que, com a Operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal no dia 17 de março, e o fechamento temporário de alguns mercados externos, a indústria precisou readequar seus estoques e, por isso, concedeu férias coletivas. A decisão dos frigoríficos é vista pelo setor produtivo como uma estratégia de mercado para manipulação de preços.

O diretor-executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, explica que esta manobra fica mais evidente ao se comparar o movimento dos preços no campo com o varejo.

“Mais uma vez, o pecuarista paga sozinho a conta e o consumidor final não sente os reflexos efetivos da queda no preço da arroba. A demanda interna se manteve e as exportações em março não foram prejudicadas com as oscilações de mercado. Mesmo assim, a arroba caiu mais de 10%”.

O proprietário da casa de carnes Martins, em Cuiabá, João Batista Mendes Fortes, afirma que o consumo de carne aumentou 20% nos últimos 30 dias, o que considera uma raridade devido à Quaresma. “Geralmente o consumo cai neste período do ano, mas aqui as vendas cresceram. Acredito que o consumidor está preferindo comprar carne fresca a carne processada ou embalada”.

"A arroba do boi aqui já está R$ 121, são quatro reais a menos do que estavam pagando no começo dessa crise”

Para o pecuarista, os números do mercado não batem com o valor oferecido pelo seu produto. Raphael Nogueira, de Castanheira, explica que, na região, os pecuaristas possuem poucas opções para venda. Com a paralisação dos abates em Juína, a situação se agravou.

“Hoje a melhor opção é Tangará da Serra e, com isso, o preço caiu bastante. A arroba do boi aqui já está R$ 121, quatro reais a menos do que estavam pagando no começo dessa crise”.

Resumo
A Polícia Federal desencadeou uma operação, denominada Carne Fraca, no dia 17 de março em consequência de investigações sobre fraudes cometidas por frigoríficos e agentes públicos de fiscalização. As suspeitas sobre o sistema de fiscalização e inspeção federal atingiram o mercado internacional da carne e alguns consumidores como China, União Europeia e Hong Kong suspenderam a compra de mercadoria do Brasil.

Com o trabalho de esclarecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a intensificação da fiscalização e interdição de plantas sob suspeita de problemas sanitários, o país recuperou alguns mercados rapidamente, e o impacto na balança comercial foi reduzido.

Segundo o ministério, reabriram o mercado os seguintes países: Jamaica, Israel, Egito, Coreia do Sul, Jordânia, Kwait, Hong Kong, Austrália e Paraguai. Outros 32 países mantêm suspensões parciais ou aumentaram a inspeção dos produtos brasileiros. Neste grupo, estão China, Argentina, Estados Unidos e Emirados Árabes.

(Com Assessoria da Acrimat)

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