14 de novembro de 2017 - 07:25

Perdas com logística somam quase R$ 4 bi ao ano em MT

Conforme estudo, hoje um terço do preço da soja na mão do consumidor é custo logístico

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Fórum Nacional das Cadeias Produtivas

Luis Antonio Fayet, consultor de logística da CNA: sobrecusto representa perda de US$ 1,2 bilhão por ano

O estado de Mato Grosso perde por ano safra cerca de US$ 1,2 bilhão devido à falta de infraestrutura adequada para o escoamento da produção pelos portos do Arco Norte. Isso corresponde a quase R$ 4 bilhões jogados no ralo.

A afirmação foi dada pelo consultor de logística e infraestrutura da Confederação para Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet, em entrevista especial para o Jornal o Estado de S. Paulo.

Conforme o estudioso, hoje, um terço do preço da soja na mão do consumidor é custo logístico. Isso ocorre porque não existe infraestrutura adequada para garantir um fluxo maior do escoamento de grãos pelos portos de Itacoatiara (AM), Itaqui (MA), Santarém e Barcarena, no Pará, e Salvador (BA).

Atualmente o custo médio para transportar uma tonelada de soja pelo Norte do país, custa 36% menos do que a tonelada enviada para os portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR).

Para um produtor de Sorriso enviar uma tonelada de grão para o Sul ou Sudeste ele precisa desembolsar aproximadamente US$ 126. Já escoar a mesma carga por via terrestre até Miritituba (PA) e, de lá, por hidrovia até o Porto de Belém (PA) o valor cai para US$ 80.

De acordo com estudo da CNA, grande parte do problema logístico está relacionado com a diminuição dos investimentos em infraestrutura de transportes. Na última década, os investimentos nesta área representaram somente 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Já outros países exportadores, como China, Índia e Rússia, investiram, respectivamente, 10%, 8% e 7% do PIB no setor.

Problemas

Ednilson Aguiar/O Livre

BR 163 34.jpg

Fevereiro de 2017, BR-163: milhares de motoristas ficaram parados em atoleiro

Os entraves começam nas estradas, que escoam cerca de 60% da produção. “Na comparação com outros modais, o setor rodoviário foi o que mais progrediu, evoluindo para o critério de menor tarifa para as licitações”, diz Fayet.

Ele observa, porém, que é preciso melhorar o atual estado de conservação das vias. “A BR-163 que vai de Cuiabá a Santarém deveria estar pronta há dez anos. Há muitos trechos sem pavimentação.”

O LIVRE acompanhou no início deste ano o caos que se formou na BR-163, próximo ao município de Trairão (PA), em que milhares de carretas ficaram paradas devido a um atoleiro que se formou em um dos trechos não pavimentados da via.

Além dos problemas no modal rodoviário, Fayet cita na reportagem a concentração de mercado na malha ferroviária, o que resulta em elevadas tarifas e opções de serviços reduzidas.

Para o estudioso, a solução para a logística no país virá de um trabalho conjunto entre governo e empresas. Entretanto, além de rodovias, ferrovias e hidrovias, ele afirma que a capacidade dos portos do Arco Norte deve ser ampliada.

Superlotação

Em entrevista ao LIVRE, em julho, o consultor já havia alertado os produtores mato-grossense quanto a superlotação dos portos. "Mato Grosso precisar saber que o grande problema da produção do estado é porto. Não adianta levar toda essa produção até lá se não tiver porto”.

Para ele, a saída está sim no Norte do país. Conforme o Ministério da Agricultura (Mapa), a capacidade portuária (de embarque) desses portos alcança 40 milhões de toneladas por ano.

Só entre janeiro e julho deste ano, 15,3 milhões de toneladas de milho e soja, foram escoadas pelo Norte. Até dezembro a expectativa do Mapa é que 26 milhões de toneladas passem por lá.

Mas o estudioso alerta que, com término de importante obras de infraestrutura como a da BR-163 e nas próximas décadas a tão sonhada Ferrogrão, faltarão terminais para receber os grãos. “Nós precisamos de três ou quatro terminais como o de Outeiro que está parado com capacidade de escoar entre 10 a 15 milhões de toneladas de grãos”, finaliza.