13 de junho de 2017 - 07:05

Morre Nelore que atingiu alto índice de marmoreio

Touro Quanupur superou a marca de 5% no índice que mede a gordura e que dá sabor à carne

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

A pecuária brasileira perdeu um touro único, considerado um marco para os criadores de Nelore no país e no mundo. Morreu, aos cinco anos de idade, Quanupur da Estância 2L, o primeiro e único da raça que superou a marca de 5% em marmoreio, índice que mede a gordura entremeada e que dá sabor à carne.

O animal era considerado jovem e tinha potencial para produzir até 100 mil doses de sêmen ao ano por pelo menos mais uma década, ao custo de R$ 25 cada - um retorno de R$ 2,5 milhões anualmente.

O touro pertencia ao Grupo Adir, com fazendas em Nova Crixás (GO) e Ribeirão Preto (SP). “Não é possível dar um valor de mercado a ele. É único, um animal em que nós focamos a vida inteira. São 60 anos de trabalho. Uma perda irreparável que não dá para quantificar”, lamentou Paulo Leonel, diretor do grupo, em entrevista ao LIVRE.

Com pouco mais de uma tonelada, Quanupur foi o primeiro animal da raça Nelore a atingir 5,02% de score de marmoreio, mais que o dobro que um animal da sua linhagem costuma apresentar (entre 1,5% e 2%). Segundo o criador, o resultado está acima da média até mesmo para algumas raças europeias e se assemelhou a animais da raça Angus e Wagyu. “Era algo impensável para a raça Nelore”, definiu.

Arquivo pessoal

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Números
A morte de Quanupur gera curiosidade não só pela qualidade da carne, mas também pelo potencial de negócios, que não serão concretizados. Por ser um animal jovem, o touro levaria ainda dois ou três anos para atingir o volume máximo de produção. A previsão era cerca de 100 mil doses de sêmen ao ano. De acordo com o criador, o animal teria vida reprodutiva útil por pelo mais dez anos. Ou seja, seriam R$ 25 milhões em negócios na próxima década.

Paulo Leonel contou que o estoque de sêmen do animal era pequeno, pois, segundo ele, tudo o que era produzido era vendido imediatamente. “Esse touro quebrou paradigmas da pecuária brasileira, mostrou que o Nelore também produz carne de qualidade. O sémen que sobrou não dá para contabilizar, qualquer valor seria simbólico”, comenta.

Doença
À reportagem, Paulo Leonel lamentou a morte do animal – ocorrida em março – por diversas vezes. Disse que foi uma perda inesperada, uma morte súbita. O touro contraiu enterotoxemia, uma infecção intestinal aguda, geralmente fatal, mesmo sendo vacinado e recebendo o reforço da vacina.

O animal morreu na Central Bela Vista, em Pardinho (SP), empresa de coleta de sêmen que atua no mercado há mais de 15 anos. “Foi um choque muito grande. Lutamos para ter aquele biótipo, mas nunca focado no marmoreio. Essa qualidade de carne veio como um presente”, finalizou. O animal passou por uma autópsia para identificar a causa da morte e foi enterrado no local.

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