12 de abril de 2017 - 07:35

Ferrogrão não fica pronta antes de 2025, diz especialista

Ferrovia ligará Sinop até terminais do Pará. Ao custo de R$ 12,6 bi, obra será alternativa para escoamento

Gabriele Schimanoski

, da Redação

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Arte/OLivre Imagens Google Earth

Ferrogrão

 

Os agricultores mato-grossenses terão que esperar por pelo menos mais oito anos até que finalmente consigam escoar a produção via ferrovia - isso se o governo federal seguir à risca o cronograma de leiloar no segundo semestre do ano a Ferrogrão, que ligará Sinop até os terminais de transbordo de Miritituba (PA). A avaliação foi feita pelo diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, em entrevista à Revista Globo Rural.

O Movimento Pró-Logística é formado por entidades ligadas ao setor produtivo de Mato Grosso, entre elas a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). Graduado em Administração, Edeon Vaz é especialista em Gestão Estratégica de Negócios e há mais de dez anos atua na área de logística. 

Ele acredita que a obra só será concluída em 2025. “Na melhor das hipóteses”, diz. O cálculo leva em conta a estimativa de que os primeiros dois anos sejam destinados a licenciamentos e projetos. “O início das obras deve ocorrer apenas em 2020", acrescenta. Depois da conclusão da parte burocrática e se for seguido o ritmo de 200 quilômetros ao ano, é possível que a ferrovia chegue ao destino final em 2025.  

Escoamento
A ferrovia terá capacidade para escoar, em média, 35 milhões de toneladas de grãos por ano. O projeto prevê o transporte das cargas de grãos de Sinop a Miritituba, distrito de Itaituba (PA), de onde serão levadas pela hidrovia do rio Tapajós até os portos de Santarém, Barcarena, Itacoatiara e Santana do Amapá.

Até chegar a Miritituba, a ferrovia deverá “subir” pela área de influência da BR-163. O traçado inicial prevê a saída do município de Sinop, mas existe a possibilidade de ampliação até Lucas do Rio Verde, o que aumentaria o traçado em 140 km. 

O governo estima ainda que a Ferrogrão pode chegar a 2050 transportando um volume superior a 42 milhões de toneladas. A ferrovia seria uma alternativa para o escoamento da produção de grãos do norte de Mato Grosso para os terminais paraenses, hoje bastante dependente da rodovia BR-163.

Investimento
Nas contas do governo federal, o investimento previsto é de R$ 12,6 bilhões em uma concessão válida por 65 anos. As principais interessadas são as maiores tradings que operam no Brasil; ADM, Bunge, Cargill, LDC (Louis Dreyfus) e AMaggi. As cinco se uniriam à Estação da Luz Participações (EDLP), especializada em logística. Mas, como se trata de uma concessão, outras empresas podem manifestar interesse em participar da concorrência pública.

Benefícios
Para Edeon Vaz, a obra trará benefícios para o agronegócio do Estado. No futuro, a Ferrogrão poderia ser integrada à malha ferroviária nacional com a chegada de outros ramais ferroviários a Lucas do Rio Verde, como a chamada Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). 

Outro ponto fundamental, na opinião do especialista, é haver concorrência na utilização da ferrovia. “Em países desenvolvidos, o transporte ferroviário não passa de 70% do rodoviário. Se conseguirmos fazer isso aqui, vai ser um ganho fantástico. É importante haver concorrência na ferrovia, mas a Ferrogrão deve ser um monopólio, uma ferrovia dedicada”, diz.

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