12 de setembro de 2017 - 17:39

Dólar sobe a R$ 3,12 diante de abertura de inquérito contra Temer

"A abertura de inquérito sinaliza que Temer terá que abrir muito mais concessões para passar algum tipo de reforma", destacou o gerente da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti

da Redação

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O dólar chegou a subir mais de 1% nesta tarde de terça-feira, 12, e tocar o patamar de R$ 3,13, mas acabou fechando no nível de R$ 3,12. O movimento comprador foi intensificado depois que o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer, cuja investigação mira o Decreto dos Portos, que teria favorecido uma empresa do setor. O temor do mercado, mais um vez, é de que o governo se enfraqueça e comprometa as reformas estruturais, sobretudo, a da Previdência.

O dólar já vinha em alta desde a manhã em meio à cautela, após a conclusão de um inquérito da Polícia Federal que apontou a formação de uma organização criminosa do PMDB da Câmara encabeçada por Temer.

Além das duas problemáticas, está no radar do mercado a eventual segunda denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderá apresentar contra Temer no âmbito da investigação desencadeada com base nas delações dos executivos do grupo J&F, que controla a JBS. Como Janot deixará o cargo no próximo dia 17, a denúncia poderá sair em breve, o que tem deixado os investidores cautelosos. Em junho, o presidente foi denunciado por corrupção passiva.

Segundo especialistas, os três imbróglios podem atrapalhar o cronograma das reformas - lembrando que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem que a reforma da Previdência deve ser votada em outubro - ou pesar sobre o quórum necessário na Câmara para as votações.

"A abertura de inquérito sinaliza que Temer terá que abrir muito mais concessões para passar algum tipo de reforma", destacou o gerente da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti. Nesse contexto, o dólar atingiu máxima aos R$ 3,1371.

O dólar operou em alta durante todo o dia, mas desde o início da tarde renovou máximas diversas vezes. De acordo com o operador da corretora Multimoney Durval Corrêa, esse movimento foi encabeçado por importadores, que especulavam que o moeda dos EUA poderia subir ainda mais e tentavam se antecipar. "Se uma nova denúncia for efetiva contra Temer e vier com fundamento, o dólar pode buscar o patamar dos R$ 3,15 em função das incertezas que essa denúncia causará em torno da reforma da Previdência", acrescentou.

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,72%, aos R$ 3,1276. O giro financeiro somou US$ 1,65 bilhão. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,1054 (+0,01%) e, na máxima, aos R$ 3,1371 (+1,02%).

No mercado futuro, o dólar para outubro subiu 0,69%, aos R$ 3,1315. O volume financeiro movimentado somou US$ 16,40 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1115 (-0,04%) a R$ 3,1435 (+1,07%).

(Com Agência Estado)