14 de julho de 2017 - 14:24

Consultor aponta déficit de 10 mil quilômetros de ferrovias no país

Ex-presidente da ANTT pontua que, dos 28 mil quilômetros de malha ferroviária construídos no Brasil, apenas 8 mil quilômetros estão em operação

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Fórum Nacional das Cadeias Produtivas

Para ex-diretor da ANTT Bernardo Figueiredo é uma ilusão achar que o país tem ferrovias


A supersafra brasileira do ciclo 2016/17 trouxe novamente à tona a falta de infraestrutura logística no país para o escoamento da produção agrícola. Os reflexos são sentidos no bolso do produtor e afetam diretamente a competitividade dos produtos brasileiros.

Em evento em Cuiabá sobre o tema, o ex-diretor presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Bernardo Figueiredo afirmou que é uma ilusão achar que o Brasil tem ferrovias, modal mais indicado e econômico para o transporte de grãos.

Segundo o consultor, dos 28 mil quilômetros de malha viária construídos no Brasil, apenas 8 mil quilômetros estão em operação. “Não existe transporte ferroviário no país”, enfatizou. E completou “os trechos que temos hoje foram construídos no século 19 e não atendem as necessidades do século 21”.

Figueiredo pontua que a malha está concentrada mais ao longo do litoral brasileiro e no centro do Rio Grande do Sul e que as linhas não passaram por nenhum processo de modernização desde que foram instaladas.

O Brasil faz 300 quilômetros de ferrovias ao ano, mas o ideal seria construir oito vezes mais

A estimativa é que pelo menos 10 mil quilômetros deveriam ser construídos na próxima década para que a produção brasileira passasse a fluir.

“Seria um passo monumental”, garantiu. A região Centro-Oeste, segundo ele, sem dúvida deveria ser a mais contemplada, devido à capacidade de produção e distância dos principais portos.

Das 240 milhões de toneladas que deverão ser colhidas nesta safra, cerca de 65% estão sendo transportada por rodovias, de acordo com levantamento da Embrapa. No entanto, a rodovia é o modal mais caro e deveria ser utilizado apenas nas pontas, levando os produtos aos terminais hidroviários e ferroviários, ressalta o consultor. “Nossas safras deveriam percorrer distâncias pequenas nas estradas”, pontuou.

Para Figueiredo, o governo brasileiro já deveria ter entendido que o país com uma dimensão como a do Brasil não poder ser competitivo se não tiver um sistema hidroviário e ferroviário que ligue todos os centros de produção ao litoral. “Se não tivermos esses sistemas de forma decente, nunca teremos uma logística competitiva”.

Ao LIVRE, ele revelou que, mesmo com todos os problemas e a grande burocracia do governo brasileiro, o país já conseguiu concluir 300 km de ferrovias ao ano, mas, o ideal era que realizasse pelo menos 2,5 mil km ao ano, ou seja, oito vezes mais. “Os EUA têm mais ou menos a nossa área e possuem dez vezes mais ferrovias do que nós”, finalizou.

Agência Estado

Ferrovia

 

 

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