01 de agosto de 2017 - 06:00

Conheça a máquina milionária que mudou a colheita de algodão em MT

Avaliada em R$ 2,7 milhões, ela colhe, prensa, enfarda e deposita o fardo sem parar a colheita

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

algodão, colheita

 

O LIVRE andou na máquina milionária que revolucionou as paisagens das lavouras de algodão no país. Avaliada em R$ 2,7 milhões, ela colhe, prensa, enfarda e deposita o fardo sem parar a colheita. 

A colhedora John Deere 7760 pesa mais de 30 toneladas e custa aproximadamente R$ 2,7 milhões. Tem 4,42 metros de altura e capacidade para enfardar até 120 fardos/cilindros.

Nesta época do ano, os campos de algodão em Mato Grosso são tomados pelos cilindros amarelos, que caem suavemente do módulo da máquina. Algo inimaginável no início dos anos 2000. Cada fardo pode conter até 2.350 kg da fibra.

Com a nova tecnologia, o transporte até as algodoeiras se tornou mais fácil, rápido e eficiente. Antigamente, a fibra precisava passar por uma prensa e só depois era carregada. Assim, ficava sujeita à chuva, um risco para a qualidade da fibra. Com a proteção, basta a empilhadeira posicionar os fardos na carreta, e não há contato com a terra ou água. Em uma viagem, uma carreta consegue levar até 16 unidades.

“Chega a ser bonito de ver
esse mar branco ser varrido pela máquina”

Na fazenda  que a reportagem visitou, em Diamantino (183 km de Cuiabá), três dessas máquinas trabalhavam sem parar em uma área de 4 mil hectares. O operador, Antônio Campos, trabalha há 15 anos na profissão e acompanhou a modernização do campo.

“Chega a ser bonito de ver esse mar branco ser varrido pela máquina”, comentou enquanto operava a colhedora de mais de 30 toneladas.

De dentro da cabine, com ar condicionado, ele coordena todo o processo até a abertura do módulo e liberação do fardo. O operador conta ainda com uma câmera que mostra o interior do módulo e se a máquina “engasgou” ou não.

“Eu criei meus filhos fazendo isso, não pretendo mudar”, revelou. Por mês, ele ganha mais de R$ 3 mil com carteira assinada. “Mas existem também os aventureiros que, por período de colheita, tiram R$ 15 mil sem carteira assinada. Eu não me arrisco”, afirmou.

Veja o vídeo: 

Tempo, equipamento e pessoal

De acordo com informações da fabricante, uma colhedora convencional demanda mais de 20% do tempo no processo de descarregamento do algodão. Já o modelo com o enfardamento cilíndrico mantém a máquina e o operador trabalhando no campo de forma contínua.

O fabricante afirma ainda que os produtores economizam não só no tempo da colheita, mas também em equipamentos e pessoal. Para cada colhedora dessa, eliminam-se três tratores, seis operadores e a prensa.

Outro diferencial do equipamento é o tanque de combustível com 1325 litros, o equivalente a 350 galões, que diminui as paradas para abastecimento. Quando é preciso passar de uma lavoura para outra, a máquina também possui uma configuração de “transporte” em que a velocidade pode ser triplicada, passando de 7km/h durante a colheita para 27 km/h na estrada.

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