16 de julho de 2017 - 18:00

Além de boas estradas, faltam portos para escoar a produção de MT, diz consultor

Luiz Antônio Fayet, especialista em logística, chama a atenção para portos saturados e obras paradas de terminais

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

 

Ednilson Aguiar/O Livre

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Fila de caminhões devido a atoleiro na BR-163, no Pará: problemas não terminam aí 

Com obras importantes de infraestrutura tomando forma, mesmo que lentamente, entre os estados de Mato Grosso e Pará, o consultor de logística da Confederação de Agricultura e Pecuária (CNA) Luiz Antônio Fayet faz um alerta para os produtores da região: não há portos para tanta produção. 

Na sexta-feira (15), ele participou do Fórum das Cadeias Produtivas, promovido pelo Sindicato Rural de Cuiabá, e, ao lado de outros especialistas em infraestrutura e logística, defendeu investimentos para construção de portos na baía do Guarajá, em Belém (PA).

"Mato Grosso precisar saber que o grande problema da produção de vocês é porto. Não adianta levar toda essa produção até lá se não tiver porto", ressaltou ao LIVRE.

Para ele, o grande pecado do Brasil é a infraestrutura, e a saída está no Norte do país. Ele explica que, com término da BR 163 que liga Cuiabá a Santarém e com a realização da tão sonhada Ferrogrão, faltarão terminais para receber os grãos.

Portos saturados ou parados

Segundo relatório do Ministério da Agricultura (Mapa), o maior crescimento das exportações está previsto para o porto de Itaqui (MA). O melhor desempenho desse terminal foi registrado em 2015, com o escoamento de 7,2 milhões de toneladas de soja e milho. Nesta safra, a estimativa é que só de de soja passem mais de 6,6 milhões de toneladas.

"Esse volume era pra ser ainda maior", lembra. Ele cita como exemplo o terminal de Outeiro, que está parado, com capacidade de escoar entre 10 a 15 milhões de toneladas de grãos. "Em 2014, estávamos com a licitação pronta, mas não ocorreu", lamenta.

As obras bilionárias no terminal não foram concluídas devido a uma série de fatores como crise econômica, instabilidade política e alterações de administração portuária. "E nós precisamos de pelo menos três ou quatro terminais como esse para que o Arco Norte ocupe de vez a primeira posição no escoamento de grãos".

O consultor explica ainda que a culpa não é do governo atual, mas sim de gestões de décadas. Na opinião dele, a Secretaria de Portos é uma das grandes responsáveis. "Tudo fica travado no governo federal".

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