A Propósito

Maio de 2017

Quinta-feira, 25/05/2017 10h45

Nada a declarar

Durante o III Encontro Nacional Sobre Cooperação para Prevenção e Combate à Corrupção, realizado na manhã desta quinta-feira (25) no prédio da Escola Superior de Contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, informou que novas operações policiais devem acontecer em breve no Estado. "As investigações não param e acredito que pode vir em breve alguma nova movimentação", disse ela. Com uma das pernas imobilizadas, a juíza está afastada temporariamente do trabalho, mas disse que pretende retornar o quanto antes para seguir com a condução de investigações importantes. Questionada se estava se referindo à Operação Sodoma, respondeu: "Não é só Sodoma", disse. "Temos outras operações, inclusive a Rêmora, e por isso mesmo devo retornar antes do previsto pelo médico porque essas coisas não podem esperar indefinidamente".

Convidada para palestrar em uma das mesas do evento, Selma também comentou a jornalistas o escândalo dos grampos ilegais, que tomou conta do noticiário mato-grossense. "É um fato lamentável, se é que ocorreu", afirmou. "Temos que esperar uma investigação melhor para se elucidar desde quando isso acontece, com quem acontece, quem foram as vítimas todas, porque o que saiu talvez tenha sido só a ponta de um iceberg", continuou. "As pessoas hoje tem medo de falar no telefone porque todo mundo acha que pode estar sendo grampeado. Se me grampearam não ouviram nada porque eu só falo bobagem no telefone", brincou.

A juíza não quis comentar a abertura de um processo administrativo disciplinar que, a pedido do advogado Francisco Faiad (PMDB), foi determinado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O processo deverá investigar se a conduta da juíza, principalmente com relação a declarações que fez publicamente, é compatível com o exercício da magistratura. "Com relação a isso não vou me manifestar".

Confirmado para palestrar às 9h30 no evento, o minsitro do STF, Alexandre de Moraes, não apareceu.

Domingo, 21/05/2017 10h01

Livre e solto

Citado na delação bombástica de Joesley Batista e mergulhado até o pescoço em escândalos estaduais, o ex-secretário de Indústria e Comércio e ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Pedro Nadaf, foi visto na última semana em uma padaria no Jardim das Américas enquanto bebia um suco de acerola. Como diria Michel Temer, "livre e solto", passeando pelas ruas de Cuiabá. 

Sábado, 20/05/2017 15h13

PSB deixa base

Em reunião da Executiva Nacional realizada neste sábado, em Brasília, o PSB oficializou a decisão de deixar a base do governo de Michel Temer. Em comunicado divulgado após o encontro das lideranças, o partido diz que o Brasil chegou ao "o ponto culminante de uma crise", pede a renúncia ou o impeachment do presidente e a convocação de eleições diretas.

Confira a íntegra do documento:

"COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL
RESOLUÇÃO POLÍTICA Nº 002/2017
O PSB FRENTE À CRISE POLÍTICA NACIONAL

O Brasil vivencia neste exato momento o ponto culminante de uma crise, que se iniciou em meados de 2013 e que representa seguramente um dos maiores desafios da história republicana. A escala do problema que se apresenta aos brasileiros pode ser medida pelo valor de uma única variável ̶ mais de 14 milhões de desempregados.

É essencialmente em favor da população, portanto, que as soluções para a crise devem ser encontradas e, é pensando nela, que agentes políticos e instituições partidárias devem se apresentar diante do país, com propostas objetivas, que tragam em si a marca da urgência de superarmos o flagelo de quase três anos de recessão, crise social e desemprego em massa.

Esta é a situação fática que se apresenta ao Presidente Michel Temer, tendo sido alcançado por um processo de investigação, cuja duração e amplitude não são facilmente determináveis.

A imensa tensão entre a urgência que aflige a população, em busca de melhoria de suas condições de vida, e a incerteza quanto à demora e resultados do julgamento que atingirá o Presidente da República ̶ que não podem ser dissipados a curto prazo ̶ lhe toma de forma irremediável as rédeas da governabilidade, fenômeno cuja natureza é estritamente político.

É inevitável, nestas circunstâncias, que o sistema político e a sociedade civil, até mesmo para preservar níveis mínimos de coesão, se ponham em busca de soluções, emergindo neste contexto o que seria a alternativa mais simples e natural, ou seja, a grandeza da renúncia, quando se caracteriza o esgotamento da governabilidade.

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), por meio de sua Comissão Executiva Nacional, reconhecendo a gravidade da crise e sabedor de sua responsabilidade no encaminhamento de soluções para sua superação, DECIDIU POR UNANIMIDADE:

I. Defender a tese de que o Presidente Michel Temer deve apresentar sua renúncia, como forma de acelerar a solução da crise de governabilidade, já instalada.
II. Em não ocorrendo a renúncia ̶ que é ato personalíssimo ̶ , ou apresentando-se qualquer circunstância que interrompa seu mandato, pautar-se em sua atuação política, seja no parlamento, seja junto à sociedade civil, segundo o mais estrito respeito à Constituição Federal, sempre com o propósito de reconstruir uma nova governabilidade, em diálogo com as demais forças políticas e sociedade civil, de forma a criar as condições que permitam superar a crise atual e contribuir para a elaboração de um projeto duradouro de desenvolvimento.
III. Apoiar a proposição de Emenda à Constituição (PEC), que contempla a realização de eleições diretas, compreendido aqui o fechamento de questão favorável à iniciativa legislativa, que dará aos parlamentares do Partido condições para atuar em sua defesa, com todos intrumentos próprios ao processo legislativo.
IV. Referendar a iniciativa do presidente nacional do Partido, que já subscreveu documento, em que é solicitado o impeachment do presidente Michel Temer.

Brasília-DF, 20 de maio de 2017

CARLOS SIQUEIRA
Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro-PSB"