A Propósito

Abril de 2017

Terça-feira, 25/04/2017 09h57

Guerra

O governador Pedro Taques reagiu rápido ao Tribunal de Contas do Estado, que ontem anunciou uma ação contra a Secretaria de Fazenda por omissão de dados relativos às exportações.

Na noite de segunda, por meio do grupo de WhatsApp do site Midianews, Taques disse que o TCE "está se permitindo rebaixar mais uma vez", citando os escândalos de venda de vagas de conselheiros e os esquemas do ex-governador Silval Barbosa.

"Agora, [o TCE] se permite servir de trampolim (ou seria puleiro ?) eleitoral para o seu presidente, auto-declarado candidato, chamar para si holofotes em ações politiqueiras, midiáticas e desprovidas de valor real", escreveu o governador.

Por trás da briga, estão as eleições de 2018. O presidente do TCE, Antônio Joaquim, não esconde a vontade de se candidatar em 2018 e poderá ser um adversário do governador. Se antes as movimentações e atritos entre os dois grupos eram velados, agora está tudo escancarado.

"Nada justifica que, ao invés de analisar os dados e sistemas de controle, querer acesso a CPFs e valores individuais. Não interessa a eles os processos, mas sim os nomes. Quer prospectar CPFs com que interesse ? Avaliando o potencial dos contribuintes para Futuras doações de campanha? Muito estranho tudo isso", finalizou o governador.

Veja a íntegra da postagem do governador:

"O TCE MT, a meu ver está se permitindo rebaixar mais uma vez.

A primeira vez aconteceu quando permitiu as negociatas de venda de vagas, antes veladas e agora Reveladas por denúncias que pipocam a todo lado. Ali teve de tudo pra ocupar vaga, até Conselheiro hereditário.

A segunda vez foi quando permitiu que todas as negociatas do Governo Silval (antes supostas e agora expostas) acontecessem embaixo das suas barbas, seja por conivência ou por incompetência. Cabe a ressalva de que o TCE esteve presente na Secopa, com auditores permanentes lá, com este mesmo modelo "inovador" de auditoria durante a execução. Deu no que deu: obras de péssima qualidade, sem prazos, com descontrole total. Sobrou pra gente organizar essa zona.

Agora, se permite servir de trampolim (ou seria puleiro ?) eleitoral para o seu presidente, auto-declarado candidato, chamar para si holofotes em ações politiqueiras, midiáticas e desprovidas de valor real.

Nada justifica que, ao invés de analisar os dados e sistemas de controle, querer acesso a CPFs e valores individuais. Não interessa a eles os processos, mas sim os nomes. Quer prospectar CPFs com que interesse ? Avaliando o potencial dos contribuintes para Futuras doações de campanha? Muito estranho tudo isso."

 

Terça-feira, 25/04/2017 06h40

#partiuharvard

O promotor Fábio Galindo, ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, anunciou nas redes sociais o seu desligamento em definitivo do Ministério Público. De acordo com a postagem, o pedido de exoneração se deu em razão de duas "decisões de vida": um período de estudos na prestigiosa faculdade de Direito de Harvard, em Cambridge (EUA), e a busca por "alçar outros rumos". Sobrinho do ex-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo, o ex-secretário vem sendo muito mencionado nas rodas de apostas rumo ao Congresso Nacional em 2018.

Confira a íntegra da publicação:

Compartilho com todos os amigos duas decisões de vida. Me dedicar ao estudo na Harvard Law School, onde eu sempre sonhei, e para tanto, para dali alçar novos voos, me exonerar a pedido, do meu amado Ministério Público!! Cedo deixei minha casa e minha família para buscar meus sonhos. Aos 17 deixei Presidente Prudente/SP. Aos 24 deixei São Paulo rumo a Minas Gerais, para me dedicar ao Ministério Público mineiro. Aos 35, tive a felicidade de voltar ao Mato Grosso para ser Secretário de Segurança. Em maio/2016 tive que sair da Secretaria de Segurança, voltei ao Ministério Público, Conselho Nacional do Ministério Público em Brasília, mas confesso que em 1 ano não me encontrei. Era hora de voltar para casa. Depois de muito refletir, conversar, discutir propostas, amadurecer ideias e pensar em caminhos, decidi iniciar nova caminhada. Orgulho eterno de servir ao Ministério Público por quase 15 anos, mas sinto forte no peito o chamado e decidi aceitar o desafio!!! Que Deus abençoe essa nova jornada!!!

Segunda-feira, 24/04/2017 15h29

"Fatalidade"

Uma comitiva de secretários de Estado chegou a Colniza, a 1.065 quilômetros de Cuiabá, por volta das 11 horas desta segunda-feira (24) para se reunir com autoridades e líderes políticos, religiosos e comunitários do município. O encontro, que contou com a presença dos secretários Rogers Jarbas, de Segurança Pública, Max Russi, de Trabalho e Assistência Social, Suelme Evangelista, de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários e Evandro Lesco, da Casa Militar, ocorre quatro dias depois da chacina que deixou nove mortos na Gleba Taquaruçu do Norte, a cerca de 250 quilômetros da cidade.

Em determinado momento da reunião, o secretário Max Russi chamou a chacina de "fatalidade". "Temos que trazer o governo do Estado e o Incra, que é um órgão complicado e não tem nenhum representante aqui, e também o Tribunal de Justiça", disse Russi, ao comentar a necessidade de regularização de terras perto do local do crime. "A gente tem que fazer um encaminhamento para aproveitar que está o vice-prefeito, os vereadores aqui presentes, infelizmente essa fatalidade aqui aconteceu, e essa regularização sem sombra de dúvidas vai dar paz, vai dar tranquilidade e vai ajudar a desenvolver muito o município".

Na última quinta-feira, os corpos de nove homens foram encontrados em uma área de mata isolada perto das margens do rio Roosevelt com facões cravados nas costas e pescoço. A Polícia informou que as vítimas foram amarradas e torturadas. Segundo o secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, foi um "crime de mando com correlação com a questão da exploração ilegal de madeira".

Segunda-feira, 24/04/2017 07h51

Inaceitável

Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso qualificou como "inaceitável" a chacina na qual nove pessoas foram assassinadas no distrito de Taquaruçu do Norte, em Colniza, na quinta-feira, 20. A entidade anunciou que acompanhará as investigações do episódio e que irá exigir uma "apuração rigorosa e correta". Além disso, pedirá que a Polícia Federal atue no caso. "Há muito tempo a questão agrária e fundiária, especialmente na região Norte de Mato Grosso, deixou de ser palco de disputa de terras para se tornar um cenário de violência constante e descontrolada", diz a nota da entidade, em um trecho.

Confira a íntegra da manifestação:

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) lamenta profundamente o episódio ocorrido no distrito de Taquaruçu do Norte, em Colniza, na última quinta-feira (20) quando nove pessoas foram brutalmente assassinadas.

A Ordem, por meio da Comissão de Direitos Humanos, acompanhará toda a investigação cobrando uma apuração rigorosa e correta do caso. Ainda, a entidade solicitará à Polícia Federal que atue conjuntamente com as forças policiais do Estado no procedimento investigatório.

Isso porque há muito tempo a questão agrária e fundiária, especialmente na região Norte de Mato Grosso, deixou de ser palco de disputa de terras para se tornar um cenário de violência constante e descontrolada.

Não se pode admitir, nos dias de hoje, que a que episódios brutais como estes se transformem em estatísticas. Não vivemos numa terra sem leis e não podemos admitir que se pense o contrário.

Como advogada da sociedade, a Ordem preza pela boa administração da Justiça e, neste caso, a apuração rigorosa de todos os fatos é imprescindível. Por isso, a OAB-MT envidará todos os esforços para que os fatos sejam esclarecidos e processados nos termos da lei."